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Chikungunya ou Dengue – Qual a sua Preferência?

Com a proximidade do verão e das chuvas próprias desse período, voltamos a intensificar as campanhas de combate a DENGUE, sempre baseadas no controle da proliferação dos mosquitos transmissores do vírus.

Essas campanhas permitiram que o Brasil tivesse em 2013 uma redução significativa (61%) no número total de novos casos de dengue confirmados, em relação ao ano anterior.

Neste verão teremos um incentivo a mais para estimular nosso interesse pelo controle, ainda mais severo, do crescimento da população desses mosquitos transmissores da dengue... a FEBRE CHIKUNGUNYA.

A febre chikungunya é uma doença semelhante a dengue e causada por um vírus, "primo próximo" do vírus da dengue e transmitida entre os seres humanos pelo mesmo mosquito transmissor da dengue. E a semelhança continua nos sinais e sintomas de ambas as doenças, com queixas de febre alta, dor muscular, dores fortes nas articulações, cefaléia, vômitos e exantema (manchas na pele) e geralmente duram de três a dez dias. Só se diferenciam na mortalidade, já que a febre chikungunya raramente causa óbito, pois não apresenta a forma hemorrágica da dengue.

Por outro lado, essa febre de origem africana e que já chegou ao Brasil, apresenta um quadro de dor muito forte nas articulações e essa é a sua principal característica. De difícil controle e temporariamente incapacitante para qualquer atividade, essas dores articulares podem permanecer por muitos meses, mesmo depois do fim dos outros sintomas. Nesses casos, e seguindo um importante acompanhamento médico, podem estar indicados o uso de antiinflamatórios e sessões de fisioterapia para o controle das dores.

O tratamento, também, é o mesmo da dengue na fase aguda: cuidar dos sintomas e manter a hidratação. A orientação dos setores de Controle e Vigilância em Saúde é que os casos mais graves, onde há vômitos frequentes e dor abdominal importante, sejam tratados como se fossem quadros de dengue. O diagnóstico preventivo é feito por exame laboratorial, da mesma forma como acontece com a dengue. Os casos suspeitos são informados pelos serviços de saúde aos órgãos oficiais de controle em no máximo 24 horas.

O mosquito se infecta ao picar uma pessoa portadora da febre e depois de sete dias começa a transmitir a doença para outras pessoas. Inicialmente, como ainda temos poucos casos da doença, a taxa de crescimento de novos casos da febre será lenta, mas progressiva. É importante lembrarmos que precisamos controlar a população dos mosquitos, porque uma única pessoa com a febre pode infectar muitos mosquitos, que vão transmitir uma doença viral nova para a qual ninguém tem defesa imunológica (anticorpos).

Dados estatísticos oficiais indicavam que, até o dia 25/10/2014, foram registrados 824 casos de febre chikungunya no Brasil - 39 deles vieram de países como República Dominicana, Haiti, Venezuela e Guiana Francesa.

Os 785 casos restantes que foram confirmados, são de pacientes infectados dentro de nossas fronteiras - 371 Feira de Santana (BA), 330 Oiapoque (AP), 82 Riachão do Jacuípe (BA), 01 Matozinhos (MG) e 01 Campo Grande (MS).. Mas, depois da publicação dessa estatística, já tivemos a confirmação de outros casos novos em diferentes cidades, de diferentes estados, como Manaus(AM), Varginha e Lavras (MG), Marília (SP), Vitória (ES), além de outros casos suspeitos que estão sendo investigados em várias cidades.

Essa febre foi registrada a primeira vez em 1952 na Tanzânia e logo se espalhou por toda África e depois Ásia, só chegando a Europa (Itália) em 2007. O nome chikungunya, no dialeto de tribos da Tanzânia, significa "homem que se dobra" ou "corpo que se dobra", devido à forma arqueada que os pacientes ficam por causa das fortes dores nas articulações.

Não há motivo para desespero, pois o mapeamento dos casos está sendo feito pelos serviços de Vigilância e Saúde, mas também não se acomodem achando que os infectados estão longe de nós. Já estiveram bem mais longe. Não esqueçam que as pessoas migram, viajam a trabalho ou a passeio e, portanto, trazem e levam fotos, presentes, dinheiro, prosperidade e doenças. Precisamos estar atentos e vigilantes com nossas campanhas de controle do mosquito transmissor, pois essa é a única forma de mantermos longe de nós a DENGUE e a CHIKUNGUNYA.

Uma dúvida! Para se pensar!

Se um mosquito infectado pelos 2 vírus me picar, vou ficar com dengue e chikungunya? Uma espécie de DENGUNYA???

Essa eu não sei...até a próxima. Se cuidem, e sejam FELIZES!!
Paulo Pulitini – Médico do Trabalho